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238. BALEIA. 25.08.2020 238

Com todas as notícias absurdas, a Terra parou. O oceano suspendeu as águas em vapor e os animais marinhos coabitavam o espaço. Ondas densas, gasosas, ora mais baixas, ora mais na altura do horizonte, criavam o corredor para os bichos mais absurdos circularem entre os mamíferos, bípedes e ignorantes. Os plânctons, pulverizados no espaço…, o cetáceo caçou de beliscar o que o garotinho deixava na janela. Ele mesmo, não comia muito, vivia triste. Uma nova amiga, ainda mais tão grande assim, seria uma aventura interessante. Passava desengonçada, uma rabada aqui, lá se vai mais um barraco pelos ares. A sombra projetada no caminho era a pausa para os moleques da pelada se hidrataram com o picolé da família sem renda. A manchete do jornal também afetara a casa do amigo das baleias. O pai passou a brigar por qualquer coisa. A mãe, frangalhos, coitada, mal podia amamentar. Esses bichos gigantes, apesar de ninguém gostar deles por perto, eram da paz. Ao primeiro sinal de algo errado, abriu a enorme boca e arrancou o sobradinho onde o garoto deixava umas batatinhas secas. A casa ficou lá, escarafunchada. Do garoto, nenhuma notícia mais. Falam pela rua que nem a família sentiu falta. Com a descida das águas, uns pescadores dizem que o menino virou do mar. Não foi destaque no jornal, e o mundo voltou a girar, perfeitamente fora do normal, com quase tudo no seu devido lugar.