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237. 403. 24.08.2020 237

Já não recebia mais visitas de nenhuma ordem. As encomendas, as poucas que chegaram, se empilharam do lado de fora da porta da sala. A síndica rapidamente descia as escadas ao posicionar o pacote sobre o tapete. O casal do 503 andava de meias e as cadeiras ganharam uma borracha nos pés. A última ligação foi estranha demais para duvidar do ímpeto do vizinho de baixo. No grupo, não opinava mais. Havia desistido de alguns aspectos que o tornavam homem, logo ele, que tanto afirmava. O cheiro pavoroso começou a empestear aquele andar. A família ao lado, 402, passou a sair pela porta da cozinha. Na última noite, antes do arrombamento, o barulho estridente acordou a todos, nos dois blocos. Pela manhã, polícia! Alguém teve a pachorra de chamar. Condomínio de família… Todo mundo muito frágil, supondo que qualquer coisa é alguma coisa grave. Na primeira tentativa, um grito de cachorro que leva um susto. Porta no chão. Futum de pelo molhado pela fresta dos aquartelados. No fundo da sala, vista de quem arrombasse a porta, um homem-cachorro acuado. Olhos vibrando sem conseguir focar em qualquer coisa. Nu, com peladeiras e sangramentos recentes. O peito com respiração de beija-flor, as garras defendiam a cara de cão da luz. Tudo que havia na casa parecia ter sido triturado e abandonado em montinhos pela casa. Urina e fezes secas ardiam o nariz. Não havia protocolo. A confusão terminou em banho, tosa e abrigo.