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207. ATAVISMOS TEMPORA. 25.07.2020 207

Tem dias que a noite é longa, iluminada. Anna saiu pela porta da cozinha, fazia menos barulho. Tocava em tudo pelo caminho até a plantação. Com a ponta do indicador podia sentir, estava certa. Olhou para trás, última luz apagada. Pairava na velocidade da corrida. Um cristal acendeu. Em seguida, outro bem ao lado. O puma acompanhou a jornada, protegia a criatura bípede até o centro da floresta densa. Terreno pantanoso, frio, impedia o arranque das perninhas vibrantes de excitação. O macaco aproveitou para alcançá-los. A cobra seguia pela camada de capim úmido, sorrateira e vigilante. Todos estavam em seu elemento. Do outro lado do rio, uma centelha. O altivo lobo-guará esperava o momento. A chama da lamparina refletiu o ataque. Ao chegar debaixo da árvore que dividia as famílias, o susto. O sangue do inimigo derramado, mesmo ela chorando de amor. A inocência enterrou-se no solo feito semente. Nascia o sentimento errado. Tocou e não sentiu mais nada. Abraçou-o. O calor da ira, mais um corpo gelado.