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208. ATAVISMOS MELANCIA. 26.07.2020 208

Gostaria que alguém pudesse ver aquele mar todo. Atmosfera limpa. Me senti pequeno como os grãos que escorriam entre meus dedos. Deitei com as pernas bem abertas para curar as feridas. Água geladinha dentro do calção é bom demais. O vento batia diferente onde já estava seco, minha testa queimava. Passaria o dia todo lá, quase pude sentir o gosto da fruta, mas tive que me levantar. Uma ótima noite de sono, aliás. Há meses não sonhava algo agradável. Venho dormindo na sala, meu quarto adquiriu um aspecto sério demais. Os cômodos têm personalidade. A cozinha era alegre feito os italianos. O banheiro era o único lugar que eu visitava por obrigação. Ao me aproximar da pia, mantive a cabeça baixa. Não sorri, escovei os dentes sem humor. Lavei o rosto. Procurei pela toalha, pude sentir a pele grossa, gelatinosa. O maldito duende estava a postos. Pulou sobre mim, agarrou meu pescoço e colocou a sela. Os grilhões açoitariam-me as orelhas por mais sete dias. Meu fim de semana foi ótimo. Se eu disser algo, será um ato político. Pela mesma necessidade que tenho em mijar ou lavar o monstro sobre meus ombros. Água, bem quente… e muito sabão.