Existe um certo jeito de olhar que, caso acerte o ângulo e a inclinação do quase sorriso, a figura entrega essa joia no tempo; um segredo antigo, sem gancho e força para um resgate. O desconhecido exposto, que tanto fez. Gioconda, obra máxima dessa humanidade. A arte, sem serventia, atende aos que necessitam. Quantas vidas aquele sorriso diminuiu? Tudo fora daquele quadrado é tinta fresca. A angústia, melhor amiga do visitante, encapsula, fecha hermeticamente nossa parcela de verdade e se fantasia de pintura, de gravura, na mimese das Belas Artes. Distorção de Egon Schiele, que na própria pessoa carrega a ironia de saber algo e faz mistério. Da brevidade de Franz Marc, em não dizer e partir, ao confronto do retrato de Jakub Schikaneder… Todos eles sabem, olha mais uma vez. Queria eu não saber para descobrir. Mas cá, entre nós, hoje, sabemos demais. Falta é o “desver”, o filtro avesso da realidade que, sem saber como, rompe o passado. Público, no sentido privado, é o que falta ao povo que consegue acordar e trabalhar sem ter descansado. O abismo aguarda. O mar está dividido, firme em duas colunas. Passa. A notícia correu todos os canais da frança. Em seguida, como o sopro invernal balança a copa da Árvore da Liberdade, todo o mundo havia parado. Finalmente, prestaram atenção: Monalisa havia chorado.
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ATAVISMOS CONFRONTO. 24.07.2020
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