199
199. ATAVISMOS SEGREDO. 17.07.2020 199

No mundo antigo de janeiro, ao atravessar um corredor de alguma biblioteca, eu pedia licença. Não te contaram? Pois é! Eles se falam. Fazem reunião e discordam. Alguns saltam e patinam pelo chão encerado até a estante à frente. Por isso que não dá para achá-los fácil. Tanto tempo por ali que custa verificar por catálogo. Uma vez, seguindo o instinto Conan Doyle, encontrei um De La Mancha aos socos com o faxineiro. É, foi. Na Biblioteca Municipal… O prazer de sentir-se mínimo, insuficiente, perante notáveis… saudade de sentir isso. O que tenho aqui não surte o efeito psicotrópico de quem nos aguarda trancados. Estou ensaiando para atravessar, sem vacilos, o caminho da esfinge, entre gigantes, outra vez. Mas esse lugar ainda não existe. Mudo algumas coisas de lugar, derrubo prateleiras, ergo outras. Óbvio que não estamos correndo os olhos pela mesma estrofe. O que eu vejo, você não vê, não. Pode confiar. O Vinícius daqui jamais seria o De Moraes daí. O daqui me chamou para uma balada. Eu disse “não, seu Vinícius. Tenho nem roupa”. “Vamos, Tatiana, deixa de ser boba, é A Balada do Morto Vivo”, afirmou. Achei apropriado para ocasião. Não me chamo Tatiana, mas foi educado. Quem sou eu para discordar? Ajustou a máscara bem rente o nariz, passou álcool em gel e apertou minha mão. Se sorriu, não vi. Mas o saco preto estava lá. Vários deles, aliás. Não paravam de chegar das lanchas. A festa continuou sobre os corpos no tapete. Casa de gente rica deve ser assim… Queria um soneto, só isso, sem ter que me humilhar. Várias baladas, pouco verbete. Eu disse que não eram o mesmo, você que não quis acreditar.