Imaginem o primeiro encontro com uma piscina. A água está ali, trajes de banho também. Entrada autorizada. O que fazer? A vida toda o líquido foi de um jeito, em diferentes lugares, mas de um jeito único. Meio limpa, meio suja, meio congelada em sabores variados. Agora apresentava-se de uma maneira imponente, em quantidade. Ganhou outros poderes, peso, pressão. O primeiro mergulho seria o ponto crítico. O marco inicial entre uma nova relação, de pessoa para elemento natural. Até aqui, de maneira artificial, o homem controlou esse ambiente, na natureza, ela se torna de fato… selvagem. Esta, para mim, é a imagem do ator; um curso vertiginoso. Da nascente à foz, o que importa é a viagem entre rios e afluentes. A ideia não me veio do nada, quem me dera. Agorinha mesmo eu estava vendo filme, bisbilhotando. É ótimo quando dá para controlar a tromba d’água que sai do cabo da tevê. Sem querer perder a balsa, o autor também é um pouco isso, um rio selvagem. Deixa tudo passar, vive a experiência e, depois, vem nadando para contar. E nadar cansa os braços, requer fôlego. Quando então se chega à costa, falta fôlego para começar. Calado ninguém diz, mas o escritor, mesmo parado, sem fazer… nada! Às vezes, só é preciso coragem, ou um empurrãozinho do próximo aluno da aula de natação, para uma medalha alcançar. O arbítrio, assim como o nado, é livre, mas ao sair da piscina a gravidade não perdoa; Ou serão asas de dragão cospe-fogo ou de uma linda borboleta… que voa.
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ATAVISMOS NATACAO. 12.07.2020
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