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202. ATAVISMOS MODERNES. 20.07.2020 202

Vamos falar sobre a amizade, essa coisa boa que não envolve sexo para acabar com a relação. Deixo aqui um emoji que representa mistério e ironia. De todos os movimentos das Belas Artes, o Simbolismo é o que melhor representa a amizade entre duas pessoas. Insinuação, fuga, metáfora, sensação. Não existe grupo de amigos, existem várias combinações remontadas, em constante revezamento. Quando estamos envolvidos pela goma romântica, a relação é direta, mas um tanto açucarada. Você ama aquela pessoa e deseja retribuição carnal, se declara. Se rolar, rolou. Já o flerte da amizade é longevo, não é uma construção social. É insistente, masoquista e, talvez, dependente demais para assumir outra posição, senão, a da própria parceria sem fins lucrativos. Amigo é tudo sem abdicar de nenhum título. É o substituto para as emergências da alma. Fica aqui o aviso: se você pede, não é amizade, é Parnasianismo. Se for bruta, é Realismo desnecessário, sinceridade demais. Amizade é dente-de-leão. Quem quer estar na sua vida, já está, quem não quer nem diz não. Sai por aqui, por alí. Vai ciscar em outro terreiro. O amigo é o sentimento, o corpo vem depois. Vão chegando sem querer. Entrando no compasso da energia entre iguais. Somos vários em inúmeros momentos subjetivos. Tal nossa possibilidade em ser o que quisermos. A partitura física do amigo é a música do encantado. As colega, miga, mana, xará, prima, estão a um passo do conclave, mas não é preciso fazer nada. Só esperar as vidas irem sincronizando. Longe ou perto, online, de máscaras ou não, a amizade é vista por onde passa, anima os “desamigados” a se abrigar da solidão. Espontânea como um descuido, tola como um ato falho, amizade é boa fora da gente. O vácuo que ninguém mais preenche entre dois cúmplices se olhando à beira do precipício. Se caírem, cairão juntos. Compartilham da mesma coragem. Mesmo sendo esses amigos tão diferentes. Dois solitários em voo livre sorrindo para o inevitável. Ser amigo é ser milagre.