Arrumando as coisas aqui pelo quarto, encontrei uma lâmpada. O gênio que saiu disse que era um objeto mágico. Eu falei “ah, é? Então resolve a confusão que tá lá fora”. O desejo era meu, não funcionava emprestando. Concordamos que eu esqueceria tudo ao acordar, eu mesmo solicitei o desejo. Ele entrou na lâmpada e eu não consegui dormir para que o truque fizesse efeito. Parece que só funcionava se pregasse os olhos… De manhã, não estava mais lá, nem gênio, nem lâmpada. O acordo era até às cinco, um pouco depois do galo fazer o que tem que ser feito. Pensei como seria bom sentir novamente o cheiro do café pela primeira vez. Ler o meu livro preferido, sem saber que era o meu preferido até aquela linha crucial. Curar traumas sem terapia. Descobrir a poesia para os poetas. A alegria dos que não sabem e descobrem. Não fosse a ansiedade, teria tudo de novo, mais uma vez. Me resta ficar com o que trouxe até aqui e buscar o que ainda não conheço, não uma, mas ao menos duas vezes ou três.
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ATAVISMOS UMA NOITE. 21.07.2020
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