Sólido, líquido, gasoso e amor. Veja só, você? Amor. Esses são os quatro estados de tudo que existe. O mesmo pulmão que busca o ar para sobreviver, expira música, assobios, como agradecimento à vida. A feitura do que não se explica, explicado está. Não tem motivo, razão, só gratuidade. O melhor da vida é ao custo do que for possível carregar consigo. Se for pesado, está caro. Se for muito pesado, mas fizer sorrir, tá barato – e leve. A moeda é o esforço em perceber que tudo é invisível, até que se abra os olhos com vontade, desejo em sentir a luz atravessar a retina com velocidade. Transformar para sempre, para todo o sempre, o que já estava aí, é ver um pouco mais. Olho para as minhas mãos e agradeço por tudo que já fizeram por mim até aqui. Pelo formato de minhas narinas, pelos meus pés tão corajosos e sabidos. Pisaram em ovos a vida toda e permanecem tão limpos. Sempre meti meu nariz onde não fui chamado. Amor não se pede, nem a você mesmo. Tem que ir abrindo portas de emergência na base de ombrada. Invadindo outras vidas como quem está de passagem. Quem ama não solicita estadia, prepara a própria comida, penteia os próprios cabelos, sem precisar chamar por ninguém. Isso é poder. Quando conseguir ver tudo, tudinho… chega a hora de compartilhar esse outro estado de completude da alma, que só procura mais lugar para se acomodar. A propriedade do amor-próprio é ter o volume e a forma variáveis. A melhor terapia que tem é se gostar. Quando estiver, esteja de verdade. Quando sorrir, sorria porque sua intenção é preencher uma sala, avenida, outro coração, o ar ou uma mesa de bar.
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ATAVISMOS ESPELHO. 19.07.2020
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