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209. ATAVISMOS APORIA. 27.07.2020 209

Nosso esqueleto recebe a camada de cartilagem, sistemas nervoso e circulatório embrenhado entre músculos, fibras. Esse pulso eletromagnético, que arremata nossas extremidades, se apresentaram a mim por meio de uma infiltração dental. Eu mesmo dei o diagnóstico. Voltei às aulas de biologia do ensino médio para trazer um pouco de ciência ao meu psicológico – abaladíssimo pela mais remota conjectura da necessidade de pôr os pés na rua -, vesti-me de monge; meditar e sair do corpo. Abandonar os tecidos, sublimar. É uma topada aqui, um dente amanhã. Não posso me tornar cirurgião pela Udemy, mas posso aprender Ioga. Distensão, na primeira e segunda vértebra. Não importa se osso distende ou não, o importante é saber o que fazer para quebrar o desespero ao meio e continuar a rotina maluca de confinado. Todos os dias eu acho que venci, que melhorou. Estou usando estratagemas lúdicos, definitivamente, sou criativo… Boto a ficha na máquina, movo a garra até a pelúcia e desço. Subo com uma memória. Formato o dia cinza de hoje com esse novo arquivo por cima. Tem umas passagens ótimas. Com o avançar da idade, umas cicatrizes péssimas vêm junto. Descostura o brinquedo. Mais um trabalho de retocar aquela lembrança. Olhar mais uma vez na cara do trauma e dizer “ah! Tá, é você de novo… no… passado. E quer saber? Hoje está muito pior e eu to aqui editando um filme animado. Você é só uma coisa ruim que eu posso passar a borracha e continuar”. Interfaces, quem vive sem? Imagina que a coisa ruim estivesse desenhada num papel, rasgue em mil pedaços e comece outro round. Nosso sistema é nervoso, lembra? Brabo! Ninguém pode com nóis.