Eu não sei se é verdade, mas dizem que quando alguém nos incomoda é porque algo naquela pessoa nos pertence. Um santo olha para o outro e já sobe o ranço azedo goela acima. Alguma coisa lá no cérebro nos avisa que aquele comportamento é nosso, mas está com a pessoa errada. Existe certa aproximação do tema quando pegamos alguém distraído, comportando-se de maneira contrária ao que o ambiente ou situação exige. Vamos chamar isso de espontaneidade, e nessa palavra grande moramos todos. O que nos faz baixar a guarda talvez seja o grau atual de vulnerabilidade disponível. Gostamos disso, de escapar do visível. Um código secreto nos dá certeza. Um gesto puro é sempre comemorado pelo outro, nunca percebemos. Caso o façamos de propósito, seremos menos genuínos. Então, não existe uma régua para tal impasse, tudo depende da confirmação dos fatos; temperatura e pressão atmosférica, por isso decidi que melhor é não me levar tão a sério. Compreendi que quando estou fechado para mim mesmo, recluso, desobediente, nada acontece. Mas basta eu dar um sorriso, que o mundo todo se arreganha feito mala caída na BR. Fiz vários testes, sou perito em perseguir verdades, apesar de nunca haver uma caixa para o que encontro. Me tornei menos exigente. Em meus dias de lamúrias um faceiro raio de sol alcance-me um dedão do pé, os cotovelos, até que eu perceba o fenômeno. Calor tem relação com alegria. A mandíbula força a abertura para a entrada de ar e a feição acaba cedendo em sorrisos. A boca abre para a mente levar um refresco. Pura falta de engenharia divina em criar um sistema refrigerado, que nos permita ter um dia insuportavelmente frio aqui dentro. Criaturas vulneráveis e expostas ao aquecimento informal, ciência de impossível exatidão. Vou dizer o que eu faço: suco de laranja para refrescar mente e coração. Ou guaraná… com limão! E para matar a fome nada de espaguete, macarrão. Açúcar deixa a gente mais feliz, e evita tantos “nãos”.
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ATAVISMOS EXATIDAO. 08.07.2020
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