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210. ATAVISMOS CONTRIBUTOS. 28.07.2020 210

Eu, olhando assim para as teclas, fico imaginando a festa que elas fazem quando me aproximo. Ficam aqui inertes, se fazendo de egípcias. Têm todo o poder para criar, mas aguardam na disciplina. Gente, quem sou eu? Me sinto até como? Importante, né? S.O.S… A ponta dos meus dedos combinados à mola no sobe e desce do mecanismo ergonômico criam o som do trabalho. Sem essa zoada, inclusive, não acontece nada. O ruído se propagando no ar é a presença do ato divino. Quando me sento na cadeira confortável lembro-me que outro dia mesmo estava exposta numa galeria do Rio. Nos olhamos e foi parceria imediata. Ela disse “Qual é, brother? Vai me deixar esperando, já é ou já foi?”, não com essas palavras. Coitada… uma cadeira gamer numa sala de livros e nenhum jogo instalado. Mal sabia que passaria as manhãs sentindo o cheiro do café enquanto me preparava. Tenho receio de que um dia essa equipe possa me decepcionar. A caixa brilhante faz a mágica acontecer, claro, mas é a combinação de tudo, a cadência dos encontros que firma o acordo: hoje vai rolar. A menina “Post-it” se faz de rogada e escorrega da mesa para que eu a note. Tudo pede nossa atenção. Se organizar direitinho, tem barulho, dança ou o bom e velho textão. No caso deste último, uma peça fundamental na teoria do sistema do quarto faltará: o público leitor – que quer mais é papo reto, texto curto e confusão. Mas sozinho nem ele, nem ninguém, vive não. Põe a máscara que vai morrer muita gente ainda por causa do que você não faz. Mas cair todo mundo, numa lapada só? Jamais. Tem gente precisando de mim para sentar o dedo, a bunda ou o esporro nos negativistas surreais. Faça o que quiser da sua vida, mas nunca decepcione teus pais. Valeu? Já é? Té mais!