Quando nasceu, já estava tudo aí. Foi crescendo e notando que havia informação demais à sua volta. Resolveu que só abriria a boca se não fosse colocar mais barulho para fora. Tinha carisma, os amigos da escola arrastavam a criatura para lá e para cá nas rodinhas do recreio. Levantava uma sobrancelha, abaixava o beiço a concordava sem dizer nada. Em tantas ida e vindas da escola para casa, veio o namoro. Na hora do sim, balançou a cabeça. O padre, amigo da família aceitou a resposta e o arroz serviu de cortina para a discrição. A separação não demorou muito. A idade avançou rápido. Hoje, faz festa na sala de tevê. A pedido dos filhos, mora no abrigo para surdos da cidade. Eles também podiam falar, mas escolheram que não. Assim, como Dominique, resolveram que era melhor mexer o corpo do que fofocar ou falar palavrão.
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ATAVISMOS DOMINIQUE. 23.07.2020
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