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306. ALGO. 01.11.2020 306

O vento encontrou um jeito de congelar os dedos, as meias estavam em alguma caixa. Em cidades como essa, o aluguel barato forma um cinturão de casarões velhos. O centro fica úmido, ermo. O vapor quente e azedo pula dos boeiros. 🎃🎃🎃 Fez de tudo para conseguir companhia, pelo dinheiro, inclusive, mas não queria dormir só. Pelo tamanho, a cama só poderia ficar na posição inaceitável: os pés para a porta, com vista para a luz do corredor. – “Que ótimo que conseguiu alugar o outro quarto.” – Por que tá dizendo isso? Não aluguei. – “Cê tá sozinha em casa? Vira a câmera.” – … – “AMIGA!” 🎃🎃🎃 – E decidiu me contar? – Ela era minha amiga, você ia saber. – Mas a polícia disse que não encontrou nada. Há dois anos essa notícia não sai da minha cabeça. Vocês são, tipo, ‘superstars’ da DeepWeb. – Nós? … – É, você não viu… você sabe… algo? – Vamos brincar de eu te dar duas opções… – Quê? – Não precisa olhar se não quiser, não vai doer. – Tem alguma janela aberta? … Mas que porra é essa, caralho? – Chiu! Essa é a parte em que você me entrega o celular e a chave do carro. E, por favorzinho, se puder não se mexer. Da última vez tive que limpar até o corredor, não vai adiantar correr. – É… é… ela? – Infelizmente, sim. Chavezinha, please? 🎃🎃🎃 – Morales, olha o calendário… a tal da “Halloweena”… atacou, de novo. Melhor fazer algo, e rápido. – Tá de sacanagem?! Que merda, minha primeira semana… Brifa o destacamento e me entrega a Saudação Angélica, esse ano não será minha vez.