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307. NAMARIA. 02.11.2020 307

A arte tem o poder da gratuidade. De uma boa ideia nasce uma vida, muda a vida de alguém. A moeda é a entrega. Quanto de entrega para fora está acontecendo no seu dia? Para amanhã, tem? E hoje, teve? Para cada ida sem volta, vou projetar um Tom Veiga. Ele será minha nova medida de atravessamentos, uma régua atualizada da ausência. E não digo isso porque amava a personagem, o boneco – ou o homem -, poderia ser, claro. Digo isso porque recebi uma olhadinha de uma pessoa que amo, minha vida, e ela disse assim: – Namaria perdeu o filho dela. Eu ainda tenho meu “loro”. Vem cá? Acordei uns segundos depois no colo de minha mãe. Cheirosa, quentinha, carente com o ocorrido. Ele acordava primeiro na casa. Era ela que o Tom encontrava, andando pela cozinha, arrastando chinelo, moendo café. Se você pudesse ver o momento em que escrevo este texto, barra, homenagem, barra, crônica, perceberia que meus cabelos estão “espigaçados”, como se diz aqui em casa, família mineira. Outro dia, passamos uma tarde inteira com descolorante, água-oxigenada volume 30 e Almir Sater cantando “Meiga Senhorita”. Foi bom, foi o que tinha para aquele momento, foi o nosso programa; com o “loro” Raffael. E agora, José? Quanto a tinta acabar, o cabelo crescer… e não tiver Mais Você? O que vai ser?