A mata é coração de mulher amargurada, de um jeito meio invertido. Porque de noite é que esfria. Quente é o dia entre as virgens bifurcações. O caminhão atolou no que, dias atrás, era só clareira. Calma que ainda será a cidade como se conhece hoje, mas eles não sabem disso, ainda. Só sabem que, se não trocarem o pneu, o teatro só poderá apresentar-se aos macacos e tamanduás. Eles até achariam graça, mas entender mesmo, nada. Esse negócio de futuro a dançarina deixa para o empresário, que, não por acaso, é também mágico, faquir e bilheteiro. O braço forte do trio é o Kimera.
- – Se dona Eleanor e seu Salazar num empurra a tora… Deus só me deu dois braço.
- – Ora bolas! Kiki. Um homenzarrão desses e ainda precisa de ajuda. Para que lhe pago?
- – Para cuspi fogo e vigiar, e tirar o senhor do bar quando nois perde nas queda de braço. Sou mecânico de rural, não senhor.
- – Isto é um caminhão, besta fera. Observe. E não é que de rural emperrada a lata velha metamorfoseou-se mesmo em caminhão do ano? Com tudo embalado na traseira e três lugares na cabine. O teatro tem mesmo das suas surpresas. Ou seria a riqueza que brota da mata, que chora, não podendo mais ser chamada de virgem – tal qual a mulher em sua amargura? Só é sabido que há de se fazer mágica quando o progresso não puder esperar. E dizer eu te amo com sinceridade para a mulher, antes dos trinta ela completar.