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006. A FEIRA DE TROCAS. 06.01.2020 006

Era manhã de quarta, e como todas as manhãs, seu Augusto preparou o café para dois. Vagaroso como ele só. Artrite é um castigo, oh! Yolanda, maldade me deixar aqui com essas plantas para cuidar. Falou sozinho. Calçou as chinelas, arrancou tudo das tomadas. Bebeu café e saiu de sacola debaixo do braço. O velho gesticulava muito ao falar, precisaria das mãos. Dois lances, e batia à porta. – Bom dia. Me perdoe o horário, mas o rapaz ainda vai querer me acompanhar? O vizinho recém-chegado à cidade aceitou o convite e partiram para a rua de trás. O moço em nada se espantou com as barracas vazias, afinal era de fato muito cedo.  Provavelmente, os comerciantes ainda estariam a caminho com caminhões, carregadores e a típica falação de gente que vende. As prateleiras se encheriam de verduras, legumes ou temperos. O primeiro a cumprimentar os dois que passavam foi seu Agenor. Era um sucesso no bairro. Trocaram algumas palavras e os dois senhores se abraçaram, duas vezes.  Logo após, cruzaram o caminho de Dona Eva. Uma senhora muito simpática, beijinhos e um até logo compartilhado. Ao longo da rua movimentada, seguiram acenando e sorrindo para voluntários, até o fim da alameda que dava na padaria, ponto final do guia do bairro. Sentaram-se para um café. Só mais um instante, disse seu Augusto para o jovem que explorava o famoso pão com linguiça do seu Agenor, o dos dois abraços. Ele já vai chegar, insistia o anfitrião. Com pouco mais cinco minutos passados, dobra a esquina seu Malaquias na companhia de Bilu, que semana passada se chamava Bob ou Brutos. Ao passarem pelos dois, seu Augusto estendeu a sacola e ofereceu ao dono do cachorro, tão velhinho quanto o homem que o guiava. Ele esquece, disse Augusto. A mulher dele era minha amiga de faculdade, saudosa Estela. As sobrancelhas do rapaz se levantaram. – Eu não disse que era uma delícia? Vamos. Ainda tenho muito o que fazer. Logo mais, naquele dia, seu Augusto receberia a visita do mesmo vizinho, alguma coisa com a tevê. – Acontece o mesmo lá em casa quando dá um pico de luz, seu Augusto, deve ser alguma coisa com a tomada. O velho riu. Esticou os braços. Na ponta dos dedos, uma xícara, assim como um pai ofereceria a um filho.