O tempo era remoto. No princípio, não era o verbo, era verde fechado, puro desmatado. Não fosse o índio, era virgem também, capado. O cavalo do sertanista arriou no calor, sangrou dourado e da rocha ergue-se o sagrado. Do abandono da coroa, nasceu a vontade do contrário. O povo em festa comemorava a própria desgraça. Com muita seda, damasco, pedra e arado. O filho do filho verteu mata adentro, na sela, nicho do guardião. Era preto no vermelho, mesmo contra vontade. Na festa popular a cadência das delegações denunciava se descalço ou de ouro acompanhado. Luxo abre alas. A vontade, revolta da mestiçagem cerrava o fado. E pula, e canta, e dança, e esquece. E se lembra de rebelar-se depois de curado. Assim como o capim, deitaram-se. A raiz era nervo. A terra, a fibra da carne e o sangue jorrava tal qual nascente. O filho do filho do filho chegou sem entender se pensava como lá, se achava-se como cá. Da vontade de emancipar-se, à sabotagem. A festa foi para poucos, que, assim como a fé, era preciso coragem. Do bandeirante destemido, do tropeiro trapaceiro, do escravo alforriado, do índio mitificado. O dia em que chegaria por meio da fé, aquele que não se olha nos olhos, mas mira-se na direção em que o motivo por ele é vislumbrado. Não abandonem seus postos ainda. A fé, assim como a dança, o canto, o teatro, são parte do todo, que talvez, ainda, nem tenhamos alcançado. Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte… Meu Pai amado!
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A FE E A FESTA. 17.01.2020
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