A camisa dobrada, o cabide imóvel, os espelhos fechados em portas trancadas. Sapatos. Roupas que talvez não goste mais. Coisas perderam o sentido apenas estando paradas, olhando, pedindo movimento. Os azulejos no chão são o que mais me importam. A sequência firme sendo caminho, estando ali, tão vazio, tão inerte quanto o resto. Ter onde pisar me importa muito agora. Quero a gravidade como o vento bate logo cedo em minha janela e pede passagem. Entra serelepe, divertido, quente, mudando livros, as poeiras, os cheiros, abrindo páginas, fechando portas, assobiando e fugindo. Eu olho para o chão para ver se ainda o tenho. Ando descalço para me certificar de que borracha alguma me tira o toque, o frio gostoso de pisar. Subindo um pouco mais pelas paredes, vejo a luta de quadros, prateleiras em manter-se firmes, vencendo a sedução da queda. O estalar que encontra o chão. Eu gostaria de quebrar minhas coisas, para que não me abandonem. Só eu tenho poder de eviscerar meus pertences. Eu quero ver o fim. Infinitos horizontes me magoam, me deixam ansioso. Este blog está com os dias contados, 3, ainda voltarei, posto que a palavra é ação. Ele morrerá como um ato, e ressurgirá com Cristo o fez. Meu blog é santo, é sagrado, é jurado de morte. Em 2021 ele continuará aqui, pedindo. Decidirei que atitude tomar. Um motivo é tudo. Salve o escritor primeiro, depois o que contar. Mulheres tramam, tecem, amarram textos melhores que os meus. Invoco @juliabarretoc, @carolinaeplima15, cartas mágicas para que tudo volte a brilhar.
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3. 29.12.2020
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