241
241. TEMPLO. 28.08.2020 241

O cenário é o mesmo do dia anterior. A tevê ligada, e por ela vê-se tudo. O monitor projeta todas as telas da casa. Um cubo sem natureza que suga a energia vital do único representado dos seres vivos. Luzes colorem a epiderme permitindo que envelheça. Gasta retina, tola, não serve de janela, porque dela nada se vê. Que abertura é essa que só luz entra e nenhum cotovelo à mostra? O que parecia estimulante, os “flashes” vibrantes, nada trazia sentido, só formas e cores sem cor. Acordou do coma e desligou. Mudo. Quem? Ninguém sabia. O cérebro é uma máquina de repetição. As imagens tomaram forma fora da forma, por hábito ou imaginação. Era um tal de quem taí, com eu vi você aí atrás. A noite em que se deu conta foi quando, ao se levantar, uma cabecinha, com olheiras, descabelada e de unhas imundas apontou na quina da sala. Bem na passagem para o banheiro, bem do jeito que a mente faz quando se sonha acordado.