- Já podem tirar. Essa capa só protege lá fora, aqui não há projeção.
- Então, existem mais ruas escondidas, meu irmão?
- É parte do plano. Enquanto as pessoas trabalham, o chanceler mantém a economia de K. funcionando.
- Mas e as crianças abandonadas? E os avós foram para onde, Bec?
- Calma, Bowl. Uma coisa de cada vez. Ele já explicou.
- Os velhos estão bem. Estão na “Fazenda”, foi um acordo entre os adultos.
- Chantagem, você diz…
- Enquanto eles trabalham, o governo toma conta dos mais velhos, não é isso?
- Exato, Allen. Mas o asilo, a tal fazenda, é o pior lugar da cidade. Precisamos tirá-los de lá. Você precisa de ajuda com isso aí. Me passa, deve ter entrado areia. Com as rodas ajustadas e lubrificadas pelo irmão, Allen retornava às ruas com a velocidade em que a notícia corria.
- Estão de volta. Abram a grade. Bowl exibiu o novo Blade X.
- Ninguém vai imaginar onde consegui. Melhor, quem me deu essa máquina de velocidade.
- Allen, a mensagem no rádio foi copiada. Todos os Rollers maiores de dezesseis estão aqui. Nos diga o que vocês encontraram?
- Bec está vivo…
- Não.
- Quê?
- Como?
- Exatamente, tudo não passa de uma simulação. Nos assustaram e nos enxotaram para cá. Quem aqui tem quinze anos? Levantaram as mãos. Allen interrompeu a contagem de Bowl. Depois de explicar tudo o que havia acontecido uma informação importante ainda precisava ser dita.
- Eles sabem nossas idades, virão buscar os mais velhos.
- E o que vamos fazer?
- Se o chanceler gostar de nos contar historinhas para ninar, precisamos estar dormindo quando ele e sua corja chegarem. Vamos deixar que nos levem.
- Não, eu não vou.
- Tá maluco?
- Nem eu…
- Por favor, calem a boca. Escutem…
- Deixa que eu falo, Allen. Se liga, galera, vamos tomar isso aqui e cair no sono por meia hora… tipo Romeu e Julieta, tá ligado? Vamos ser levados, chegando lá a BMX e o Bec já estão sabendo de tudo, vamos invadir a parada. Sacou?
- Vocês conseguiram uma aliança com o Aro?
- Ele sabe muito mais que nós.
- Vão se dopar, e serão levados para a cidade, por quê?
- Porque as instalações médicas ficam na Fazenda… Com tudo ajustado, Bec e Aro aguardavam a chegada dos Rollers à fazenda dias depois.
- Você sabe que ainda me deve?
- Salvei a vida do seu irmão, Bec. Allen perdeu os remédios e ia ser pego pela polícia…
- Por que fez isso?
- Porque uma pessoa doente merece trégua. Minha vó tem diabetes. Por isso estou nessa, vou tirá-la de lá.
- Obrigado…
- Não fiz nada por você. Chegaram. Grandes cabides enfileirados saíram do contêiner. Casulos humanos sendo empurrados por uma esteira. Alguns já haviam acordado. Outros fingiram até chegarem ao local marcado.
- Eu pego o motorista e você distrai a equipe.
- O motorista é um dos BMX.
- Vocês piscam um para o outro?
- Bora, Bec. É agora. Com o caminhão vazio, o bloqueio foi armado em um único movimento. A equipe médica rendida. Na cidade, os drones foram desconectados pela BMX. Os garotos procuravam pelos avós. As ruas estavam cheias novamente. Como se as pequenas ilhas fossem apenas a ponta de um continente submerso, em franca ascensão. Com o tempo, a cidade mudou. As ruas se tornaram mais inteligentes contra novos ataques. A entregas organizadas por setor e o comércio ganhou fôlego sem o ditador no poder. As cidades vizinhas também foram libertadas com a agilidade dos Rollers e a inteligência da BMX. Um novo jeito de viver nascia: com os jovens preservando as atividades práticas, e os mais velhos cuidando da memória da cidade de K. Juntos, decidiram que aquele ano seria o ano zero.
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ROLLER BLITZ CAPITULO 4. 28.03.2020
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