Já tentei ver um determinado filme uma vez, fui interrompido. Outro dia, consegui uma folguinha na minha agenda e voltei ao catálogo. Procurei e senti o alívio do “continuar de onde parou”. Perdi o interesse. Sorte a minha que lendo um livro – este, também, mal-acabado -, não sei o porquê, me lembrei desse primeiro filme; interrompido e esquecido. Campainha tocou, voltei e não podia mais continuar. Nem um, nem outro. Tem coisa que é assim: vem esbarrando e não consegue se estabelecer. Esse material, objeto, filme, pensamento fica na órbita, mas nunca aterriza, nunca é vencido. Quantos livros tenho aqui que só consegui abrir um pouco, ler um pouco, mas na completude sei mais ou menos do que se trata. E, daí, ficam assim, em suspenso. Será que o tal filme que eu nunca termino… será que se trata de um clássico? Porque um clássico não é aquilo que está sempre aí, atual e tal? Não sei, só terminando para saber. O que consigo inferir, no máximo, é que “clássico” não dá para ler. Um clássico é relido, desde a primeira vez. É revisto, desde sua primeira exibição. Algo que não vai embora. Um clássico envelhece a gente, sem perder o colágeno inerente à estética mesma, à beleza de nos atravessar com a violência oculta na sombra parcial. Imagine uma porta que se ultrapassada seria o fim… Tem coisa que é boa como está. Nem tudo precisa de um arremate. E é isso aí. Tenho outras prioridades. Meu esporte é recomeçar de onde nem parei.
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PRIORIDADES. 12.11.2020
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