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316. DUVIDAS VARIAS. 11.11.2020 316

Não é mais uma questão de será que eu vejo o mesmo azul que outro vê. É mais um certo quê de penetrar a realidade tal qual ela pode se apresentar, o mais real possível. O quanto será que estou comprometido com o véu que me cobre? Qual a régua para as medidas que estamos precisando agora? Eu vou escolher viver sob uma sombra estética, fresca, aproveitando as distrações que os objetos oferecem aos meus sentidos – não pensar no absurdo que é a vida. Que atividade dolorosa é circular esse sangue de altas taxas. Que coisa assustadora é o andar em iminência de queda, e sentir o peso da gravidade sobre o esqueleto surrado. Essa liberdade que me condena, que me obriga a escolher. Eu preciso da não escolha. Esse id que insiste em se fantasiar e atravessar a guarda moral. Até parece um texto pessimista. Não, sou entusiasmado demais para desacreditar em mim, em nós, em qualquer outra coisa – que imediatamente se instala em minha cabeça porque não consigo segurar atenções -. Mas é existencialismo. É coragem de assumir precocemente o fim. De não saber a hora. Fazer festa com as esperas. Inferno astral é o outro! Não ponha a culpa no meu aniversário que ainda nem chegou e já vai passar. Não dá para se segurar em nada. Não era pra ninguém soltar a mão de ninguém? Que gastura dessa casca que, antes de secar, começa a descolar.