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169. FMFB17 O TESSALICO. 17.06.2020 169

Não posso afirmar se acontece com todos, se durmo tarde, por qualquer motivo que seja, devo me preocupar com cada etapa do dia seguinte. Manhã, arruinada por uma sensação de imprestabilidade conferida à minha inércia. Não me levanto da cadeira enquanto uma ansiedade – por não sei o que – coça-me o dedão. Vem subindo como formigas escalam a mesa: em fila e incessantes. Levanto-me de súbito. Preciso reagir! Mas daí… parte das tarefas daquele horário já se “autoprotelaram” para o dia seguinte.  Tem uma cena no filme do Wolfgang Petersen, em que os troianos atiram várias flechas sobre um banco de areia. Em seguida, lançam um enorme gomo de junco embebido em querosene. O importante é o impacto da imagem, bolas flamejantes rolando areia abaixo. É assim que passo o resto do dia; em vigília. Belicoso como gregos esturricados enquanto mirmidões roncam e Aquiles possui Briseida com amor. Por vincos irreparáveis, o circo da minha sanidade mental pega fogo feito cabana. Mas leva tempo até cessar o ardor. É quase uma odisseia voltar ao normal. Como profetizado, Aquiles precisa morrer. E naquela tenda, com tudo o que acontece lá dentro, não dá para entrar. Farei o Páris e sairei à troiana, carregando Helena, antes da verdadeira guerra. Como eu queria madeira suficiente para construir um cavalo, antes de tudo se queimar.