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151. DIREITO HUMANO 30 NINGUEM PODE TIRAR LHE OS SEUS DIREITOS HUMANOS. 30.05.2020 151

O planeta gasoso, ao receber a visita da Luz, perdeu turves e abriu-se para um céu repleto de estrelas novas. Inúmeros brilhos cintilavam sobre as cabeças no Tribunal da Contra Reforma do Juiz Laika. As crianças Tanzanesas trouxeram os filósofos à vida. Gisele, já consciente, procurava o amigo Lucas em meio à batalha dos Filhos das Trevas e da Luz.  – Alteza, é uma honra tê-las em nossa presença. – Trinity, sempre tão gentil. Vejo um brilho diferente em seus olhos.  Do alto, vinha descendo com a fluidez de uma pluma após uma guerra de travesseiros. Triniy desdobrou o trono de cristal em formato de semicírculo, bem ao lado do inquisidor.  – Permita-me, meritíssimo. – Varu, Say, tirem esta entidade daqui, temos uma questão a resolver.  O sopro gelado desintegrou os Filhos das Trevas. Delicados flocos de neve vertiam-se em cirandas pela plataforma de Távola. As crianças Tanzanesas brincavam de pegar, mas logo derretia.  – Lucas Torres, planeta Terra. Aproxime-se, por gentileza.  O rapaz, empurrado pelo avô, tomou coragem e deus os primeiros passos em direção à mulher com vestes de luz. A seda não escondia nada, não era um corpo feminino, tinha formas semelhantes, se tratava da compleição física de uma mãe em estado etéreo. Os mesmos olhos.  – Por que teus cabelos são brancos, dona Luz? – Por favor, chamo-me Hoop. Trago em mim a soma de tudo que existe. Você saberia dizer qual é a cor do tudo?  – Sei não senhora, mas eu tenho uma amiga que é Laranja. Porque é muito corajosa e sempre me lembra um pomar onde ela subia até a fruta mais bonita, depois me entregava e comíamos juntos.  – Refere-se à Giseli?  – Ela mesma. Sei que meu avô é cinza, não porque seja velho ou tenha os cabelos grisalhos, mas é que cinza é o meio do caminho de alguma coisa, que ele parece sempre esconder.  – Ele… ou você? Olhe em volta, não há ninguém aqui. Apenas eu e você, querido filho.  O rapaz viu-se sozinho, como se nela, Hoop, tudo estivesse presente, não sentiu medo, não moveu os pés, nada disse. Apenas respirou fundo e estendeu a mão.  – Obrigado, mamãe, por me mostrar tanto.  Eu quem agradece, agora vamos nos abraçar e receber seus irmãos. Vocês têm uma vida toda pela frente.  29 feixes de luz completaram o círculo. Em cada um, um filho de mãos dadas com uma figura feminina.  – Vocês escreverão uma declaração, use tudo o que aprendeu até aqui. Lembrem-se, ninguém pode tirar os seus direitos, são seus, mesmo que não os conheça.  – Mas eles são muito diferentes de mim. Veja.  Ao olhar mais uma vez, a face de Hoop não era a mesma. Uma aleatoriedade de rostos alternavam-se sorrindo ao mesmo tempo em que mudavam.  – “Ainda estou aqui. Consegue perceber?” – Ainda mais forte, mamãe. – “Somos todos parte do mesmo feixe de luz. Seja o mais diferente que puder”.  – Prometo ser o mais “eu” possível.  Como todos os dias, o menino, de apenas 14 anos, seguia para a escola. Chutava uma latinha, subia em muretas, equilibrava-se no meio-fio. O ônibus escolar não conseguiu frear a tempo. Não fosse a intervenção espaço-temporal de um senhor de cabelos quase brancos, talvez fosse fatal.  – Pelo brilho da Luz. Prometi que nunca, jamais, em tempo algum interviria em sua vida… – Está tudo bem, vovô.  – Você sabe quem sou eu?  – Ah! Quando vier, tem um terreno abandonado perto da minha casa, pode estacionar o DeLorean lá.  – Mas… – Tudo bem, a culpa foi minha… Melhor o senhor ir. Tem uma espiã prestes a roubar um projeto seu. Deixa eu correr que tenho um trabalho para entregar.