A carruagem cortou o céu gelado de Sossur. Os cristais da trilha de condensação indicavam a direção. – Polo Norte… Vá em paz, querido amigo. O velho Leon, retirou-se da praça. Retornou pelas escadas das brumas de Sossur. – Um dia terei coragem, não, hoje. Dentro do transporte inusitado, Fiódor procurou ajustar-se em meio a tantos embrulhos. – O que são todos esses pacotes? Prezado, estou falando com o senhor. – O quê? Não estou ouvindo. Um cheiro suave surgiu no interior da cupê. O pólen irritou as narinas do passageiro. O espirro arrombou a porta. Embrulhos rasgavam com a força do vento. Os brinquedos desfaziam-se no ar com a voracidade da queda iminente. Os lábios trêmulos de Fiódor prenunciavam o fim. O olhar de desespero de um homem com tantas perguntas a serem respondidas, sem tempo para aceitar a própria fatalidade. Cruzou os braços e esperou. – Ele escravizaria você. Eu o salvei, pode agradecer. – E quem é você? Que lugar é esse? – Tapete, onde estamos? Viu nem ele sabe… Chegaremos em breve. O homem, cuja tez claramente dependia do sol para atingir tão suave trigueiro, apresentou-se: – Sou o filho do Sol. E você está bem melhor aqui, em minha “ilha” de verdade, não aquele arremedo de burocracia intelectual. Me chamo Radamés. – “Aqui” seria exatamente onde? – Escute, amigo. Eu sei… não é justo cortar todas aquelas árvores. Carregar toras pesadas, você me parece tão franzino. Depois, ficar numa oficina com um velho esculpindo coisas estranhas e colocando dentro de outra coisa estranha com laços bregas. Você roubou uma de suas moedas… Eu não condenaria. Mas eu cuido de uma parte importante: a natureza. E quanto mais homens eu puder trazer para Mirrage, assim o farei. Um dia ele desiste de destruir minha floresta. Covardemente, esconde-se onde não posso entrar. – Eu não roubei moeda alguma. Apenas sabia sobre sua existência… – Você diz, ela “apareceu” do nada? – Sim, no meu bolso… Esquerdo, acho. – Pelo brilho da… Como disse que se chamava? – Fiódor. – Primeiro, eu não havia perguntado seu nome, você me parece mesmo confuso. Fiódor, isso. Veja, toda essa água, essas mulheres, fique à vontade, todo homem tem direito à diversão, não concorda? Enquanto isso, preciso me ausentar, mas é coisa de alguns minutos. Jade, por favor, sim? O homem de calças largas saiu chutando areia em direção a uma das quatro torres da cidade no deserto. – “Trinity, temos uma fenda na 263… Trinity?” … Jade! – …Sheik Radamés? – Você será a sheikha interina. Provisoriamente, ouviu? Sei bem de seus movimentos no ministério de Gaia. Preciso encontrar uma amiga e volto em seguida, transfira Mirrage para o ponto seguinte.
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DIREITO HUMANO 24 O DIREITO A DIVERSAO. 24.05.2020
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