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144. DIREITO HUMANO 23 DIREITOS DOS TRABALHADORES. 23.05.2020 144

Uma realidade completamente nova surgia sobreposta a uma antiga, mais rudimentar. Sem tempo hábil para contemplar detalhes ou fazer ajustes, Trinity realizou a Manobra Deuz Z Machina, explosões subatômicas cadenciadas. Novas dimensões surgiram, com o improviso de uma inteligência suprema. Uma cortina bureau nascia sobre o território de Sossur. Não se conhecia nada além de mentes brilhantes habitando as brumas suspensas. O peculiar, era que todos, ali, sabiam de sua condição. Analisavam de fora o que se passava, na dança de espelhos pragmáticos, a metafísica de poder saber a verdade sobre a própria criação. E, mesmo assim, contemplar o que se apresentava. Sem o desespero de não se saber para aonde ir, com a certeza de onde veio. Restou o “quem somos?”.  – Somos filósofos. Não o chamo de ignorante porque, cá, onde estamos, só se foi feito de intelectuais. Qual a sua linha?  – Não afirmaria ter certeza. Sei do que vejo, mas não sei o que sinto, ainda. Tenho certeza de que me chamo Fiódor. Qual a sua graça? – Leon. O prazer foi todo meu, nobre colega. Agora, vamos, vamos. Nosso trabalho é deliberar acerca das agruras do espírito humano. Trinity fará consultas regulares para aprender mais sobre os nós, digo, eles, lá embaixo. Ela tem uma “ilha” como esta em todas as outras dimensões. Você precisa ver as brumas de Glix, como são estupendos, têm certeza da dúvida.  Trinity era a deusa dos “Sossurs Bureais”. A classe funcionava com a lógica da inteligência artificial: simulava e aprendia com o devir-criança dos pensadores. Mas a princesa era também o diabo, pois os condenou à verdade crua sem melindres. Alguns intelectuais observavam tensões humanas, outros conflitos sociais. Tudo, visto de cima. Tinha quem se perguntava sobre a própria questão de aceitar esse destino. Mas apenas um abandonou a cortina dimensional e pulou.  – Se estou trabalhando, tenho direitos…  – Inclusive, tens o direito de sair e procurar outro trabalho.  – Pelo brilho da Luz, Leon, que susto. Por acaso, resolveu acompanhar-me?  – Sei coisas que, talvez, não saibas…  – Como usar as escadas?  – Acredite-me, não pertencemos cá embaixo.    As ruas de Sossur eram gélidas, largas avenidas, poucos carros. Andando, chegaram até um praça que se dobrava ao horizonte. Um grande castelo apresentava-se, imponente, todo em cerâmica e azulejos retorcidos nas câmaras abobadadas.  – Aqui, é onde a fantasia reside. Veja, impossível ao nosso toque, Fiódor.  – Não deveria, eu, poder tocar o que quisesse? Sentir o que me fosse tátil às impressões? Por que me tomas?  – Estamos em um estágio de observação, meu caro. Um dia, desceremos para contribuir. Ainda não estamos “maduros” o suficiente. Somos embriões, sementes, com tamanha força que causaria um estrago ao desabrochar-se antes do conclame.  – Não posso crer… A caminhada seguia lenta pelos arbustos afiados. Estátuas sinuosas observavam o peripatético e seu mestre, conjecturando sobre a fatalidade do ser e estar.  – Dói muito estar aqui, agora. Acordei de um coma induzido, é cruel aceitar. Seria imoral negar minha própria natureza?  – Veja aqueles dois jardineiros. Eles têm direitos assegurados por alguém, digamos, um sindicato. Sabem das consequências de se abandonar a tesoura e sair sem as devidas prestações de contas. Você, teria algo a perder? Para aonde iria?  – Eu não consigo explicar, mas… Tirou do bolso uma moeda-córtex com a Insígnia da Luz incrustada. Ao lançá-la, o sopro gelado sacudiu os arbustos como um tapa na face. O cocheiro capturou o artefato ainda no ar.  – Qual de vocês é Fiódor?  – Ele.  Habilidosamente, abriu a porta da carruagem sem abandonar o posto, como se quem fosse embarcar não merecesse tamanha honraria.  – Suba, e nunca mais ouse tocar numa Jóia da Luz outra vez.