A delegacia de crimes virtuais havia recebido a denúncia meses atrás, mas só agora identificaram o garoto do vídeo. – É ele mesmo, tem certeza, cadê o Rocha? – Sim, chefe! – Eu não sou “chefe”… Olha rapaz, não vai me arranjar confusão com gente importante. O dono daquela rede de farmácia já sacaneou a corporação. Esse pessoal tem conchavo. Que cara é essa, o, Alves? – Cara nenhuma… – Tá mentindo! Fizeram o quê dessa vez? – É que ele não resistiu. – COMO É?! – Rocha deu mole com a pistola e o garoto puxou o gatilho, mas errou. Foi legítima defesa. – Como que vocês me matam o filho de um Magnata, seu jumento? Era de quem? Da companhia de gasoduto? Agropecuária? A rede de supermercado? Como é mesmo o nome… – Nenhum desses! Nem era brasileiro. – Ah! Suspeitei. Vários seguranças… – Que segurança que nada. Os caras estavam voltando de uma festa de casamento, doutor. – Não sou doutor, o, caralho! – Só tentavam ajudar, foram entregar uma máscara e oferecer um lanche. O paraíba que gravou o vídeo que confundiu a internet. – O, Alves, você acha que só porque é internet que o pessoal é tapeado assim? – … – Desenbucha, cabra! Era filho de algum famoso, um promotor, diplomata? O garoto era loiro porra… ou era turista? Puta merda se for um desses americanos vai dar problema. No meu é que ninguém vai botar. Chama o Rocha aqui. – Tinha documento não, mas a ONG trouxe uma carta. Era refugiado, fugindo da violência lá das banda dele. – Ah… Bom… se é assim… Chega de tomar meu café! Não se fala mais nada nessa delegacia. E você, sei lá, evita aparecer. Esse pessoal da internet esquece rápido. Traz a diretora da tal ONG… E CHAMA O ROCHA!
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CONTRIBUTOS. 14.11.2020
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