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301. ARIDA. 27.10.2020 301

A úlcera desapareceu ao botar os olhos em Shirley. A única linha da cidade não costumava trazer alguém de volta. – Como vai o estômago, senhor Carlos? O sorriso atravessou a fachada da residência do prefeito. O homem que um dia pensou estar acima de todas, botava os bofes para fora após se atrever com a, agora, nova professora da cidade. Sucessivas desistências para o cargo pedagógico uniram um possível acerto de contas. Até aqui, uma útil coincidência. – A primeira parte desse seu plano funcionou, minha filha… passa a xícara. – Sem açúcar. Claro que sim, mãezinha querida. Do chão podre dessa cidade nasce uma semente perigosa. – Vai matar todo mundo aqui também? Toma… – Não desejo a morte dos meus inimigos. Jamais escolheria para eles o caminho mais fácil. – Seu pai já preparou tudo. O que vamos fazer agora? – Vamos colher o que eles plantaram… em mim! Naquela mesma tarde, a empregada, uma senhorinha – que havia desaparecido por quase uma hora -, retornava com uma garrafa de café. Com açúcar, para disfarçar o gosto ruim da demora.