Imagine-se dormindo. No estágio do sono mais profundo, uma voz chama pelo seu nome e você sente o toque gelado do mistério. Suas roupas desaparecem e você tem que deslizar por um tubo de gelo, pelada. No final, uma bacia. Dentro dela, um monte de giletes cortam sua carne. Seu corpo desacelera numa poça com álcool etílico. Você grita tão alto que sua alma descola dos ossos por um ínfimo instante… – Você não sabe brincar. – Ficou com medo, Maria. Dá pra ver nos seus olhos. – Não fiquei, não. Dá aflição. – Adivinhação? – Não. – Cartas? – Chato. – Quer ir lá fora? – Eu falei. Você não sabe brincar, Dudu. – Tolhida. – Sádico. – Mãe, Maria não lavou a mão nenhuma vez hoje. – Você quer que eu lave os meus dedos na sua cara, quer? – Me deixa continuar? – Sem sangue. – Sabe rezar?
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APELAO. 24.03.2020
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