Máquina de lava era uma novidade, adorava o cheiro. O varal com as roupas já necessárias, mas ainda úmidas. Criança pequena suja muito. Dos dois, um sujava por três, esse mesmo que apareceu pelos fundos dado a mão com outro pequeno. A mãe, uma criatura envergada, envelhecida à força, veio atrás. Andar vagaroso, arrastado. A jovem senhora, mulher de oficial, acertou os tamancos. A mão na cintura censurou a invasão. Fome, falta de teto. Deu de comer à família desassistida. No banheiro de empregada, lavou o menino até ficar da cor dos seus. Sujeira da rua tem uma cor que só a rua tinge. É difícil de sair. A faxina foi mais um “por hoje tem comida e abrigo”. E a mulher saiu tão aérea quanto entrou. O “pititito” arrastava a mochila maior que sua compleição física. Dentro havia comida e um cobertorzinho. Sem saber o que dizer pediu para que voltasse dentro de um mês, que a limpeza foi boa. A madame começou a viver de pensão. Chegou perto do fantasma que um dia apareceu no quintal procurando por qualquer coisa que não fosse surra ou enxovalhada. Os homens crescidos deixaram a mãe para depois do expediente. Foram empurrando para lá. Algumas horas da semana, quando dava, iam lá pedir a benção. A senhorinha ficou amoada, já não abria mais janela. Só a poeira e a teimosia. Com oitenta e “carquerada” já não sabia das contas. Demorou o tempo suficiente que a paciência permitia para abrir a porta. Pinçou a lateral dos óculos e se projetou para acreditar. O menino esticava a mão exibindo o pedacinho encardido de manta. – A dona num disse se era presente ou emprestado… Já é agosto, vai quere faxiná? O menino dessa vez brincou sozinho, de tirar poeira. No corredor apertado, onde batia sol, uma tirava e a outra dobrava as roupas do varal. A primeira chuva de setembro não estava na previsão, nem das duas, nem do jornal.
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AGOSTO. 31.08.2020
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