Vencedor
Um homem em Monte Carlo vai ao Cassino ganha um milhão e se suicida.
Ou
Glenn Perlman acordou tarde, arrumou a cama, como fazia todas as manhãs, desde o exército. Para o café, apenas água morna. Dispensou a camareira pelo telefone, chegou perto da janela. Projetou o corpo para frente e para baixo, fez um arco com os lábios.
Saiu arrumado, foi a pé. Entrou no Monte Carlo cumprimentando alguns conhecidos na porta. Levantou o chapéu para uma senhora de meia-idade. Os olhares trocados foram captados pelos seguranças. Um se destacou furtivamente a acompanhá-lo no salão. Jogadas limpas, alguns drinks e a sorte chegou.
Pegou o dinheiro. Não levantou o chapéu, abaixou o queixo para a madame em despedida, apertou firma as maletas. O gesto encerraria sua participação na vida de jogatinas.
O repórter que cobriu o caso, o delegado, os dois policiais – que também trabalhavam como seguranças particulares -, a camareira e meia dúzia de agentes despachantes da funerária tentaram explicar o golpe dentro do golpe. Todos perderam a boa quantia pelo falso morto, que fugiu assim que o saco preto foi aberto nos fundos do hotel.
A distinta mulher do cassino não apareceu no dia seguinte.