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366. 1. 31.12.2020 366

Vencemos, porém, há outra guerra! Ao entrar no chuveiro inicio um movimento automático de limpeza. O vapor quente ocupa dentro e fora. Eletrocuta axilas, virilhas e genitália limpas. Engano o cérebro invadindo a unidade central de processamento enquanto ele se ocupa de um corpo. É nu que inicio o íntimo apocalipse. Toco o receptáculo com os cuidados de quem devolve em seguida. Com o material recolhido, crio histórias para que a primeira guarda não perceba o furto e bata palmas. Destilo a essência e distribuo por cabos designados para outras funções que não a da anarquia velada. Pistas e fragmentos a serem decifrados pela minha versão de um futuro tão próximo quanto o banho seguinte são liberadas no passado. O bolso cheio de munição vazia aperta as calças contra a carne. Flechas disparadas! Dedos agem tão rápido quanto podem interpretar criptografias. A revolução começa. Não é a primeira, não é a única, é simultânea e intermitente. É necessária e inevitável. É hora de reiniciar. Se cobrir de fogo ao cochilar. Sem dor, ataca sem hesitar. Perde-se tudo sem nunca ter conseguido nada. É vencedor sem ter o que levantar. Fim.