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158. FMFB6 TA OK. 06.06.2020 158

Afinal de contas, para tudo tem jeito? Não, porque o Banco (“B” maiúsculo para manter o respeito) me liberou de uma fatura da qual eu nem pedi arrego. As tarifas da minha luz estão rodando no verde. E o vizinho então? Um doce, menina, tem que ver. Criaram um grupo no zap para ajudar umas senhoras. Outro dia, catei meus chinelos, minha máscara – que gentilmente comprei de uma moça que precisava muito de dinheiro – e desci para pegar correspondência, recibo de condomínio mesmo. Ao subir de volta, o susto: um bom dia abafado do Calil do 202. Quem? Eu pergunto. Quem amoleceu o coração deste troglodita que há um mês não arrasta mais a cadeira? Este mesmo cidadão bateu palmas para o entregador do Ponto Frio, para o lixeiro e até o homem que entrega o gás. Daí eu pensei, de onde arranjaram um jeito para alterar o statu quo dessa gente?  Rezei um pouco, né? Sei lá. Orei também. Não bati tambor porque não cresci em terreiro. Seria uma oportunidade para o brutamontes de cima recomeçar a zona. Mas já estava tudo mudado. Pensei cá com meus furos, deve ser essa nova moeda que inventaram, a vida. Tentei fugir da realidade paralela em que acordei e fazer uma coisa que faço bem pouco, tevê. Você acredita, moça, que de tão invertido que está a coisa o presidente Javier tá ressuscitando o povo para garantir reeleição? E os templos, pagando dízimo ao cramunhão? Que cabra esperto, não este Javier, mas o Jean Cocteau quando inventou uma frase mais ou menos assim: “não sabendo que aceitaríamos, ele foi lá e fez”. E não é que passou uma boiada e ninguém disse ELE NÃO?