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149. DIREITO HUMANO 28 UM MUNDO JUSTO E LIVRE. 28.05.2020 149

Interrompidos por uma suposta nova fã, Radamés e Naya apenas sorriram. Uma fila se formou e a conversa saiu meio de lado, sem que os lábios se mexessem de modo que não atrapalhasse a sequência de disparos holográficos. Ao clicar, uma cópia do casal saía andando e conversando com o fã da vez. 30 segundos depois, dissolvia-se em pequenos cubos brilhantes e desaparecia trazendo a pessoa de volta à fila. – “Naya, as adagas estão descarregadas, preciso de mais Rubis Tanzaneses.” – “Não está sugerindo que eu use minha voz aqui, está? Levaríamos todas essas pessoas conosco. E se a tal cota de ocupação interdimensional for verdade serão dezenas de pessoas ‘mixadas’, não acredito que eu disse isso… “.  – Ei, vocês dois. Chega de foto suas varejeiras nojentas… Saiam todos.  – Tira a mão de mim, seu “ornitogrutaconissautrix”.  – Ela acabou de me xingar? Não importa, vocês são minha propriedade e “nós” vamos terminar aquela novela maldita.  – Tod, microfones! A blusa rasgada deixou à mostra os seios da moça. Acuada, gritou o mais alto que pode. Quarantino, foi ela quem reagiu… me desculpe…  Naya, não…  Os pés descolavam-se do chão como quem é escolhido por uma máquina de pegar doces. As garras invisíveis arremessavam as pessoas para longe. Ao final, desapareciam em um buraco negro que se abria apenas para aquela passagem. Inúmeros buracos foram abertos e fechados. A rua estava vazia.  Naya andou sozinha, sem pudor. Não havia qualquer entidade para censurar o busto nu. Dentro do centro comercial CommonCopy, o vento sibilava pelos corredores trazendo o sofrimento. Novas roupas e em cada nota um antigo tormento. Quanto mais aguda, mais longe a voz de Naya lançava o condenado. A aflição de não saber o que fazer foi aliviada com a chegada de um novo propósito: ser capturada e condenada pelo Juiz Póvery e Varu, a Acusadora. Sobre os ombros do gigante e seu Machado Onírico, a Filha das Trevas bradou no vazio. Naya impressionou-se com a aparência misteriosa de uma demônia, de pernas curtas e língua de flecha. A pele escamosa abria-se para captar as vibrações da nova atmosfera. Os olhos cravaram a alma da condenada, que agradecia por qualquer motivo que a tirasse dali. Mesmo sendo a visão assustadora. – Póvery, mundos justos e livres não se constroem sozinhos. Como ousa remover-me de NeverOn para um lugar com apenas uma alma a ser julgada? Onde estão todos, mulher esportiva?   – Sou culpada…  – E culpada pelo que, ainda… Póvery, não.  O movimento ágil e certeiro por pouco não derrubou a trevosa sobre seus ombros. O deslocamento de ar estilhaçou todas as vitrines. Ao fundo, o alarme soando sem resposta. O lugar estaria vazio, assim que os dois demônios abrissem o portal para BerbeKahn, onde todos os outros indiciados aguardavam resposta no último julgamento, antes da Reforma da Luz.