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141. DIREITO HUMANO 20 O DIREITO DE SE REUNIR PUBLICAMENTE. 20.05.2020 141

O início do século XX foi uma época rica em descobertas científicas. A tecnologia deu um salto enorme, quase tão grande quanto o tombo de Trinity. A longa queda de 17 anos, interrompeu o 5º Congresso de Bruxelas.  – Vamos lá, cavalheiros, um pouco mais… juntos. Isso. Digam “Galileu”.  A lâmpada explodiu. A pólvora levantou a fumaça e alguns homens congelaram o sorriso. – Alguém ouviu isso?  – Pois sim, é o disparo do fotógrafo. Aliás, foi confirmado, para hoje mesmo, o fórum sobre eletrônica. Você vem, Émile?  O homem calvo, já na casa dos 40, abandonou o grupo de notáveis para investigar. Deu a volta no prédio do Instituto Internacional da Solvay de Física e Química. Caminhou vagarosamente, sentindo o chamado da ciência. Levantou a cabeça, fechou os olhos e sentiu o vento gelado tocar a calvície. Balançou a cabeça e colocou o chapéu.  – Senti um perfume… Lavanda. Devo estar delirando de fome…  Sentiu na ponta do sapato o volume por baixo da sola. Ao mover o pé direito, ouviu o barulho de vidro trincando.  – Veja só, que relógio curioso…  – Ah! Aí está, senhor Henriot. O fotógrafo chama mais uma vez.  – Professor Einstein, esse fotógrafo está levando a sério mesmo o direito de se reunir publicamente.  No começo da madrugada, o quarto de hotel aquecia-se com o calor do banho.  O químico francês, abandonou o grupo mais cedo que o previsto. – Amanhã retomamos, sim? Preciso de ar fresco, um bom banho. Sentou-se na cama e observou o objeto reluzente. Jogou a toalha nos ombros e foi buscar o que, pelas pulseiras e ponteiro, parecia ser o relógio. As mãos, ainda molhadas, deixaram escapar o artefato. Uma explosão luminosa tomou conta do lugar. A fumaça abafada expandiu-se e retraiu-se em seguida. Tudo convergiu para um ponto no tapete. Desdobrando-se em inúmeros pedaços surgia uma bela mulher.  – Mon Dieu. O que foi isso?  – Ah! Bom, um pouco de birrefringência e vibração molecular. É bem primitivo, mas essa moda vintage me pegou.  Alguns materiais ainda não eram usados como peça trivial para mulheres. O látex seria uma novidade sensualmente assustadora. A toalha caiu do ombro e não alcançou o chão.  A moça arremessou algo. Dr. Émile tentou agarrar. A esfera de neometal expandiu-se cobrindo-o na parte de baixo do corpo.  – Sou uma princesa. Se fosse em Zanacs, poderia ser “zigliotinado”? Dizem que é bem doloroso. “Pelo brilho da Luz”, Trinity.  – “Prazer”, Henriot. Émile Henriot. Me desculpe pelo… mas como veio parar aqui?  – Caí, sem querer… fui expulsa de um cometa, longa história. Foi assustador e bem doloroso, para falar a verdade. E agora, parece que caí outra vez. Por acaso deixou cair o meu Clock-GMT? Ah! Está aqui.  – Me desculpe, quebrei ao encontrá-lo. Posso pagar pelo prejuízo, princesa Trinity.  – Não conseguiria, precisaria de muitos Rubis Zanacs. Eu conserto. Posso?  O homem, ainda assustado, estendeu a mão para a garota. A gota vermelha emergiu da pele quente. A unha recolheu-se novamente.  – Você vai consertar seu relógio com sangue?  – Sim e não, só preciso de alguns componentes minerais.  Ao derramar a gota no visor, o relógio dobrou-se e, em seguida, desdobrou-se. Converteu-se em um modelo mais moderno, sem qualquer rachadura.  – Metal. Este Clock-GMT só precisa de uma amostra para multiplicar e instalar novas combinações químicas. Gostou da roupa?  – Para falar a verdade, me sinto bastante incomodado. – Posso tirar se quiser, você não sabe como fazer…  – Eu acho que posso aprender.